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Consórcio sem juros — e sem promessa de contemplação rápida

Uma forma de comprar imóvel, carro ou moto pagando taxa de administração no lugar de juros. Explicamos como funciona a contemplação, quanto custa de verdade e para quem não vale a pena.

O que é consórcio?

Consórcio é um sistema de compra planejada regulado pelo Banco Central. Um grupo paga parcelas mensais e, a cada assembleia, participantes são contemplados com a carta de crédito por sorteio ou lance. Não há juros: o custo é a taxa de administração, o fundo de reserva e o seguro prestamista.

Como funciona, em uma explicação honesta

Um grupo de pessoas com o mesmo objetivo se junta e cada uma paga uma parcela mensal. Todo mês, o valor arrecadado contempla um ou mais participantes, que recebem a carta de crédito — o direito de comprar o bem à vista.

A contemplação acontece de duas formas: sorteio, na assembleia mensal, ou lance, uma antecipação de parcelas que aumenta sua chance. Quem é contemplado continua pagando as parcelas até o fim do grupo.

A parte que costuma ser omitida: você não escolhe quando é contemplado. Pode ser no primeiro mês, pode ser no último. Sem lance, é sorte. Qualquer vendedor que garanta prazo de contemplação está dizendo algo que não pode cumprir.

Consórcio ou financiamento?

Consórcio faz sentido quando

  • Você não tem pressa. Se o bem pode esperar, o custo total é bem menor.
  • Você tem dinheiro para dar um lance forte e antecipar a contemplação.
  • Você quer disciplina de poupança com um objetivo amarrado.
  • Você quer poder de compra à vista, que costuma render desconto na negociação.

Financiamento faz sentido quando

  • Você precisa do bem agora. Morar de aluguel enquanto espera contemplação pode custar mais que os juros.
  • Você tem entrada significativa e consegue uma taxa boa.
Consórcio não é investimento e não rende. É um mecanismo de compra planejada. Se o objetivo é fazer o dinheiro crescer, o produto certo é outro — a previdência privada, por exemplo. Se o objetivo é comprar um bem sem pagar juros, é aqui.

O que você paga de verdade

Consórcio não tem juros. Mas não é de graça, e o setor raramente detalha isso.

  • Taxa de administração. A remuneração da administradora, diluída nas parcelas ao longo do plano. É o custo principal, e varia bastante entre administradoras — é o primeiro número a comparar.
  • Fundo de reserva. Percentual destinado a cobrir inadimplência do grupo. Sobras podem ser devolvidas no encerramento.
  • Seguro prestamista. Quita o saldo em caso de morte ou invalidez do consorciado. Costuma ser obrigatório.
  • Reajuste anual da carta. O crédito é corrigido para não perder poder de compra, e a parcela acompanha. Isso é bom — significa que a carta não encolhe — mas quer dizer que a parcela sobe.
O custo total de um consórcio costuma ficar bem abaixo do de um financiamento de prazo equivalente. O que ele cobra em troca não é dinheiro: é tempo e incerteza sobre a data.

O que dá para comprar

Imóvel. Casa, apartamento, terreno, sala comercial, construção ou reforma. Prazos longos, cartas de valor alto. Dá para usar o FGTS no lance, para complementar a carta ou para amortizar, conforme as regras vigentes.

Carro. Veículos novos e usados, com prazos intermediários.

Moto. Parcelas baixas, e é uma das formas mais acessíveis de entrar num consórcio.

Serviços. Viagem, festa, cirurgia, reforma, estudos. Cartas menores e prazos curtos.

E se eu quiser sair no meio?

Esta é a informação mais importante da página, e é a que quase nunca aparece.

Se você desistir, não recebe o dinheiro de volta na hora. O valor pago é devolvido depois da contemplação da cota em assembleia ou, na maior parte dos casos, no encerramento do grupo — o que pode levar anos. E da devolução são descontadas a taxa de administração proporcional, a multa contratual e o seguro prestamista.

Existe a possibilidade de transferir a cota para outra pessoa, que costuma ser a saída mais rápida.

É por isso que a conversa antes da adesão importa mais aqui do que em qualquer outro produto que vendemos. Consórcio é um compromisso de anos. Se houver chance real de você precisar desse dinheiro no meio do caminho, vamos dizer isso antes, não depois.

Como funciona o lance

O lance é uma oferta para antecipar a contemplação. Quem oferece o maior percentual na assembleia é contemplado.

  • Lance livre. Você define o valor. Vence o maior.
  • Lance fixo. Percentual definido pela administradora; havendo empate, sorteio entre os participantes.
  • Lance embutido. Parte do lance sai da própria carta de crédito, o que reduz o valor final disponível. Útil para quem não tem o dinheiro em mãos — desde que a carta reduzida ainda cubra o bem.

Para imóvel, o FGTS pode compor o lance. É a estratégia mais eficiente para quem tem saldo parado no fundo.

Como funciona

  1. Você preenche a simulação. O que quer comprar e qual valor de carta.
  2. Conversamos sobre prazo. Quando você precisa do bem é a pergunta que define se consórcio serve para o seu caso — e se não servir, vamos dizer.
  3. Comparamos as administradoras. Taxa de administração, prazo, valor da parcela e política de lance lado a lado.
  4. Adesão e análise de crédito. Há análise: a administradora precisa aprovar a liberação da carta na contemplação.
  5. Assembleias mensais. Você acompanha sorteios e lances. Nós avisamos e orientamos a estratégia.
  6. Contemplação e compra. A carta é liberada após a aprovação da documentação do bem.

Perguntas frequentes

Consórcio tem juros?
Não. Você paga taxa de administração, fundo de reserva e seguro prestamista. O custo total costuma ficar bem abaixo do de um financiamento equivalente — a contrapartida é não escolher a data da contemplação.
Quando vou ser contemplado?
Não há como prever. Pode ser por sorteio, a qualquer momento do grupo, ou por lance, que aumenta muito a chance. Ninguém pode garantir prazo, e desconfie de quem garantir.
Posso usar o FGTS?
Pode, em consórcio de imóvel — para dar lance, complementar a carta ou amortizar, conforme as regras vigentes do fundo e da administradora.
E se eu desistir no meio?
Você não recebe de imediato. A devolução ocorre após a contemplação da cota ou, mais comumente, no encerramento do grupo, com desconto de taxa proporcional e multa. A alternativa mais rápida é transferir a cota para outra pessoa.
Posso comprar um bem mais caro que a carta?
Pode, complementando com recursos próprios. Também dá para comprar mais barato — em geral, a diferença fica como crédito ou é usada para amortizar parcelas, conforme o regulamento.
Preciso passar por análise de crédito?
Sim, para a liberação da carta na contemplação. Não é como um financiamento no momento da adesão, mas a análise existe.
Posso ter mais de uma cota?
Pode, e é uma estratégia comum para aumentar as chances de contemplação e somar cartas em uma compra maior.
A parcela sobe?
Sobe junto com o reajuste anual da carta de crédito. É o que impede o crédito de perder valor ao longo do plano.
Consórcio é investimento?
Não. É um mecanismo de compra planejada, sem rendimento. Se o objetivo é fazer o dinheiro render, o produto é outro.

Veja também

Fontes oficiais

Atualizado em .

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